Festival Rec-Beat aproxima o Nordeste da música pop da América Latina
Por Carolina Queiroz
Houve um tempo, nem tão distante assim, em que havia pouca alternativa para o carnaval. Quem não fosse lá muito fã de folia, frevo e companhia tinha poucas opções. Ou zarpava para uma cidade mais sossegada, ficava em casa, ou encararia destemidamente os dias de folia em meio a farra.
Quando o ‘Rec-Beat’ surgiu, de cara, ganhou a simpatia de quem se sentia um ‘estranho no ninho’ bem no meio da festa, já que a ditadura carnavalesca era contundente: você só ouvia axé, frevo ou samba.
Desde 1995, o carnaval em Pernambuco não é mais o mesmo. Foi neste ano que surgiu o ‘Festival Rec-Beat’, que é hoje um dos maiores eventos carnavalescos do calendário pernambucano, consagrando ritmos alternativos em plena folia. Com a mistura explosiva de blues, rock, música flamenca, ragga, surf e outros gêneros.
O charme do ‘Rec-Beat’ sempre foi a opção de ouvir, em pleno carnaval, tudo que não tinha vinculação estética com ele e o que parecia improvável na época logo se revelou um sucesso. Reunir bandas de rock e de outros estilos que não são (oficialmente) carnavalescos para tocar no berço do frevo é, no mínimo, ousado. Diversão, irreverência e originalidade são ingredientes deste evento, que apresenta sempre novas e diferentes atrações para quem participa do carnaval pernambucano.
Para edição deste ano, o Rec-Beat, mais uma vez, aposta na América Latina para reforçar sua programação. O evento começa no dia 13 e vai até o dia 16, no Cais da Alfândega. Dentre as atrações internacionais estão Puerto Candelária (Colômbia), Cabezas de Cera (México) grupo instrumental que mistura rock, jazz e improviso; e, para engrossar a lista de ‘hermanos’ King Coya & La Yegros (Argentina).
E ainda, Ojos de Brujo (Espanha) que mistura música tradicional flamenca com ritmos modernos; o bluesman norte-americano Magic Slim e o duo eletrônico-industrial belga Madensuyu.
Entre os nacionais, destacam-se Lucas Santana, Cidadão instigado e a revelação acreana Caldo de Piaba, que mescla a tradicional guitarrada com rock e surf music. Apresentam-se ainda bandas locais como Volver, Zé Manoel, A Banda de Joseph Tourton e Diversitrônica. Unindo-se a veteranos como Mestre Galo Preto e a Orquestra Original Olinda Style.









