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31/1/2008 Reggae brasileiro leva conscientização social ao Rec Beat
Fonte: Diario de Pernambuco
Ras Bernardo começou a ouvir reggae como tantos outros brasileiros: pela influência do tropicalista Gilberto Gil, que em 1979 estourou no mercado nacional em sua versão do clássico No woman no cry, de Bob Marley. Não chores mais solidificou a aliança de Gil com o ritmo jamaicano mas o reggae só veio a ter sua cultura desenvolvida no país nos anos 80. Nessa época, surge em Belford Roxo, baixada fluminense, a Banda Lumiar, posteriormente chamada de Cidade Negra, pioneira na divulgação do gênero no circuito comercial. Ras Bernando formou o grupo e hoje circula nos espaços alternativos em produções solos ou parceria informais. Sobre a visibilidade do gênero na grande mídia, Ras afirma que muita coisa mudou desde a sua estréia na indústria fonográfica.


"Naquela época, havia muita dificuldade para divulgação. Hoje as condições são melhores. As pessoas têm mais acesso ao artista; principalmente após o sucesso da Internet". Uma amostra das criações mais recentes do regueiro "old school" será apresentada ao público do Rec Beat, às 23h, em sua primeira noite de 2008. Ras Bernardo toca com o QG Imperial o repertório do seu último CD, Jah é luz. O mesmo show acontecerá no pólo paralelo do Rec Beat, em Peixinhos, no domingo, às 17h.


O título do disco é uma referência óbvia ao mentor espiritual dos rastafaris, doutrina pela qual reza a cartilha dos regueiros mais ortodoxos. "Sou rastafari do meu jeito. Tenho a minha forma de pensar e respeito as outras opções. Pratico a minha forma de adorar a deus", defende o músico. Ras não ostenta os indefectíveis dreadlocks, os quais simbolizam a união do seguidor desta fé com seus Deus, que marcam a visualidade da cultura reggae. A praticidade dos boné, aliás, parece ter conquistado a preferência do música na hora de escolhar seus acessórios. A relação com os grandes temas do reggae (a saber: paz, espiritualidade e amor) não deixa de ser marcante por isso. O repertório de Jah é luz tem a conscientização social como um dos seus direcionamentos.


A QG Imperial entra com o balanço do dancehall, vertente mais acelerada do gênero. O resultado não é inusitado para os fãs de reggae. Grande parte das músicas do lendário Bob Marley, por exemplo, são dançantes e sociais ao mesmo tempo. "Reggae é filosofia, é mensagem positiva; amor, clareza, conscientização. O show é dançante e reflexivo. Tem momentos de descontração e alegria e também de reflexão", destaca, sem esquecer de clamar a canalização das boas vibrações que todo bom regueiro que se preza. O show de Ras Bernardo tem 11 músicas e passagens pelos primórdios do Cidade Negra, pré-Tony Garrido. Voltar