Uma festa de aniversário em plena folia! A banda Devotos comemora 20 anos de carreira neste sábado, às 0h30, com um show no festival Rec Beat, no Cais da Alfândega, Bairro do Recife, onde recebem como convidado Clemente, do Inocentes (SP). Canibal (vocal e baixo), Neílton (guitarra) e Cello (bateria) tem, ainda, outras duas apresentações agendadas no carnaval: domingo, às 21h30, tocam no Pólo Ibura. Na segunda-feira, às 18h30, os filhos famosos do Alto José do Pinho sobem ao palco no Rec Beat hospedado no Nascedouro de Peixinhos. Os shows são gratuitos. A comemoração oficial dos 20 anos fica, no entanto, para depois. É que a banda aprovou um projeto na Petrobras para a gravação de um CD ao vivo em pleno Alto José do Pinho. Eles esperam apenas o dinheiro ser depositado para fechar a data da apresentação. Segundo Canibal, cinco convidados já estão confirmados: Pitty, que já registrou no DVD Admirável vídeo novo uma versão para Punk rock hardcore, Clemente, Lirinha, Zé Brown (Facesdo Subúrbio) e Adilson Ronrona (Matalanamão). "A idéia" - conta o baixista - "é fazer uma celebração com músicas dos nossos três discos e algumas inéditas. Vamos ter, também, duas bandas na abertura". O Devotos pretende registrar o show em DVD, usando depoimentos de pessoas que acompanham a banda desde o começo. Canibal convive com Neílton desde o pré-escolar. Cello é uma amizade mais "recente": os dois se conheceram quando o baixista tinha 14 anos. A presença de Clemente no show desta noite e na comemoração a ser agendada no Alto José do Pinho tem uma explicação: o punk rock do Inocentes serviu de inspiração para Canibal montar uma banda. "Eu tinha 17 anos, escutava Iron Maiden, essas coisas, mas não me identificava. Um dia, vi numa revista um artigo sobre o Inocentes e gostei. Depois, descolei em um sebo o disco Pânico em SP. Parecia que o cara tava falando do Alto!". Por sugestão de um lendário punk do Recife, chamado Lael, batizou a banda como Devotos do Ódio, título de livro de José Louzeiro, autor de Pixote. Pouca gente sabe, mas o Devotos - eles abandonaram o "do ódio" na década de 90 - já contou com outro vocalista. "Seu nome era Altair, mas ele não se identificava com o hardcore, queria só ser punk rock. Um dia, ele faltou a um show e eu assumi os vocais", conta Canibal. A formação com Neílton e Cello surgiu em 1989. "Ninguém sabia tocar. Engraçado é que aprendemos com nossas próprias músicas, a gente não fazia cover nessa época". A receita do casamento bem-sucedido do trio tem uma explicação simples, de Canibal: "É difícil, mas quando passa muito tempo assim, você acaba se acostumando com as manias dos outros. E os projetos paralelos são importantes, você usa outros instrumentos, explora outros estilos que não cabem no Devotos". Vinte anos depois, nem o mundo da música nem o Alto José do Pinho são mais os mesmos. "A comunidade passou por uma mudança grande. Em termos de saneamento não mudou muito. Mas a auto-estima é outra. E a criminalidade diminuiu bastante." Canibal comemora as duas décadas com uma ponta de saudade dos anos 80: "Sinto falta da irmandade que existia. Tinha amigo que pagava ensaio, pagava corda#hoje, a gurizada que tem banda esqueceu do faça-você-mesmo. Estão pulando os degraus, querem tocar logo em eventos de grande porte." Voltar
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