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2/2/2008 Apostas nos desconhecidos
Fonte: Diario de Pernambuco

Em um festival como o Rec Beat, uma banda pode ser mais valorizada por ser desconhecida. Quanto menos famoso for o grupo, portanto, melhor, em uma lógica contrária ao senso comum da indústria cultural, mas que estimula a abertura para novas propostas musicais. As estrelas da mídia e os nomes ascendentes em Pernambuco ficam para os outros palcos do carnaval, enquanto o pólo do Cais da Alfândega continua com as verdadeiras novidades. A partir de hoje, estão na programação do evento artistas brasileiros que nunca tocaram no Recife, como Lucy and the Popsonics, Porcas Borboletas, Marina de la Riva, Firebug, Botecoeletro, Fino Coletivo e Os Outros.

A banda Os Outros, do Rio de Janeiro, é uma das atrações da primeira noite do Rec Beat, com show marcado para as 22h deste sábado. Eles tem um estilo de rocknroll básico, sem a necessidade de misturas ou discursos estéticos, pois estão mais preocupados em fazer dançar e oferecer boas melodias e riffs. O vocalista e letrista, o performático Botika, também segue as carreira de escritor e ator, com formação em letras e filosofia.

Na programação de amanhã, às 22h10, está a cantora Marina de la Riva, que foi considerada a revelação feminina de 2007 pela Associação de Críticos de São Paulo. Filha de uma mineira com um cubano exilado, ela mistura ritmos do Brasil e de Cuba e faz, por exemplo, versões caribenhas para músicas de Luiz Gonzaga e Ivone Lara. Chico Buarque faz uma participação especial em seu disco de estréia. Também neste domingo, às 23h20, o público conhece o trabalho ao vivo do projeto carioca boTECOeletro, de Ricardo Imperatore, que acrescenta elementos eletrônicos à musicalidade nacional.

Na segunda, o guitarrista Davi Moraes, filho de Moraes Moreira, participa do show da banda Fino Coletivo, do Rio de Janeiro. O suingue, mas com bastante experimentalismo, é uma das principais características do grupo, formado por nordestinos e cariocas.

Porcas Borboletas, de Uberlândia, toca na terça, às 21h20. Formada por músicos que também atuam em outras áreas artísticas, ela é daquele tipo de banda que encara a música simplemente como arte, independente de categorizações, já que todas as linguagens são formas de expressão do ser humano. Eles dizem que não fazem rocknroll, mas têm uma pegada rock, e que não são atores, pois sua performance cênica é uma espécie de representação visual de seu som.

Lucy e The Popsonics, de Brasília, também estão na última noite do Rec Beat, às 23h45. Cultura kitsch, música eletrônica divertida, com elementos de punk rock, e apelo no figurino e no humor os tornam uma das atrações mais inusitadas do festival. Por causa do estilo, a banda costuma ser comparada com a franco-alemã Stereo Total.
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