Este ano, Pedro Luís e Vanessa da Mata também participaram e cantaram juntos versões que vão de "Beat It", do rei do pop Michael Jackson, intitulada "Pires", ao clássico do mangue-beat "Se a Maré Encher", da Nação Zumbi. Nesta, uma disputa entre sexos. De um lado, os homens cantam: "Se a mulher encher, se a mulher encher, chegar em casa com um pau se a mulher encher". Do outro lado, as mulheres respondem: "Se o homem encher, se o homem encher, vou chamar o negão para resolver". E por aí vai... Já que em sua essência o Rec-Beat propõe levar ao palco novidades do meio musical, logo após o bloco, assume o comando a cantora Isaar, já bastante conhecida pelo público local. Assim, o evento é perfeito para apresentá-la às pessoas de fora. Aos incautos, a cantora exibe a musicalidade do interior do Pernambuco, como afoxés e folguedo de cavalos-marinho. Origem cubana A noite segue e, logo após a apresentação da Orquestra Contemporânea de Olinda - uma reunião de diversas gerações cujo cardápio musical ganhou a alcunha de world music - entra no palco a cantora carioca Marina de la Riva. O ano de 2007 foi singular para a intérprete. Além de ser eleita pela Associação Paulista de Críticos de Arte como a revelação feminina, ela trabalhou o seu disco homônimo (que contou com a participação de Chico Buarque em uma das faixas) e, pode-se dizer, saiu do anonimato para se transformar em uma cantora de projeção nacional. Performática, com trejeitos de bailarina flamenca, seu repertório faz uso de clássicos do cancioneiro latino-americano, de Carmem Miranda ("Ta-hi!") a "Central Constancia" de Enrique Jorrin. Sobre o repertório composto em sua maioria por canções na língua espanhola, ela diz: "Essas músicas representam o que eu escutava quando criança. Meu avô, que era cubano, me influenciou muito". Móveis à venda Logo após o desfile de canções decanas, entra em palco o trio Botecoeletro . E o que está em jogo no festival Rec-Beat é mesmo, além de certa qualidade, a novidade. Ao trio irreverente, faltou um pouco de carisma, talvez, mas o público se manteve fiel ao evento e não dispersou em nenhum momento. Mas sai um trio e entra praticamente um time de futebol inteiro. Com dez integrantes no palco, o Móveis Coloniais de Acaju é uma das bandas alternativas de mais destaque no momento. E para chegar a tanto, o trabalho tem sido árduo. Formados na Universidade de Brasília, no grupo há economistas, biólogos, designers, antropólogos e até músicos! E essa pluralidade talvez seja o grande trunfo da trupe brasiliense, pois eles assumem o comando de toda a estrutura gerencial que qualquer banda deve ter. Soma-se a isso o fato de eles realmente terem boas canções na manga e muito carisma. Sobre a vocação gerencial do grupo, o vocalista André Gonzalez comenta: "Nós cuidamos de tudo, planejamos ensaios, gravações e hoje a nossa meta é lançar um CD em outubro, além de reduzir gastos, pois manter dez pessoas na estrada tem um custo bem razoável". Ao que tudo indica, a banda segue um caminho firme rumo ao seu estabelecimento "Em 2006, faturamos R$ 70 mil. Ano passado, conseguimos R$ 200 mil", revela André. E isso tudo disponibilizando músicas de graça na Internet. "Incrivelmente, as vendas aumentaram depois que colocamos as músicas disponíveis na rede", comenta. Em suma, competência musical e gerenciamento exemplar. O jornalista viajou a convite do Rec-Beat. Voltar
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