Carnavais também podem ter momentos de tristeza, principalmente quando chega a quarta-feira de cinzas. Foi assim a meia-noite de terça no Cais da Alfândega, no festival Rec Beat, quando a Orquestra Típica Fernandez Fierro, da Argentina, tocou "músicas tristes" (segundo palavras do histriônico vocalista) para uma platéia de mais de dez mil pessoas que ouviam e aplaudiam o tango original vindo de Buenos Aires. Pouco depois, a alegria voltou a tomar conta do lugar e o Rec Beat mostrou que atrai multidões, pois a rua ficou lotada no show de Pato Fu (a capacidade do Pólo Alfândega é de 30 mil pessoas), com um público abaixo dos 30 anos de idade que se empolgou com as canções das várias fases da banda. Além do tango argentino, um trio do Senegal e uma banda pernambucana que canta em francês estavam entre as atrações da última noite do festival, em uma tentativa de fazer carnaval com sons de outros países. De todos os palcos do Recife, o Rec Beat é o único que não recebe atrações que já tocaram na cidade. Na terça, radicalizou a proposta com esse perfil internacional. Os senegaleses do Les Freres Guisse levantaram a platéia, que já havia recebido com saltitante simpatia a pernambucana francófona Bande Ciné. O grupo africano era formado por dois violonistas e um mágico percussionista, que fizeram o público dançar e até mesmo cantar em coro músicas totalmente desconhecidas, mas cheias de suingue e refrões contagiantes independentemente da língua. Em relação ao tango, o ritmo foi criado para ser dançado, mas no Brasil as pessoas reagem como se estivessem em um concerto para teatro. Os músicos da Orquestra tocavam suas cordas e sanfonas com energia, liberdade e destreza, mas dividindo as opiniões de quem queria se animar. Voltar
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