Que a música popular é nosso derradeiro cordão umbilical com o Coisa-Ruim, não há pastor evangélico no mundo que duvide. E nada mais justo que a Eddie ser acusada de pendências satânicas, afinal seu novo disco carrega por aí, sem culpa alguma no juízo, o blasfemo título de Carnaval no inferno. “Um pastor usou o disco da gente como exemplo de música que divulga o satanismo, só por causa do título”, lembra o vocalista Fabinho Trummer, às gargalhadas, sobre as várias possibilidades de leitura que o nome do álbum suscita. Apesar das aparências, para a Eddie, o Coisa-Ruim não foi a musa inspiradora – “O Carnaval é o símbolo maior do pernambucano, e o povo brinca e se diverte, mesmo dentro de uma miséria como a nossa. E tem ainda a violência, que é terrível. Além disso, a gente usa nessa época do ano a expressão ‘está um calor dos infernos’, há muitas possibilidades para a expressão”, continua. O novo álbum traz um acento mais social e reflexivo para o grupo, após os solares Original Olinda Style e Metropolitano, responsáveis por renovar seu público e também por formatar o tipo de música que Fabinho e companhia querem fazer daqui para frente. “É um punk de meia idade”, define o cantor. “Com esses discos, a gente chegou a um modelo de música brasileira, que é muito interessante. Mas é uma música brasileira tocada num formato punk. Eu digo que é a música que a gente quer fazer daqui em diante”. O verão para a Eddie (como apontou várias vezes Fabinho durante a entrevista) é mais que uma estação, é laboratório. A banda mostra uma versão mais acabada do novo repertório no Rec-Beat, fechando a programação de domingo. Carnaval no inferno foi lançado primeiro na internet, em dezembro, no site Som Barato (www.sombarato.org). “Hoje ele já está disponível em vários blogs. Acho que já teve mais de 20 mil downloads, o que é uma excelente marca”, afirma o músico. O novo álbum chega às lojas na próxima semana. No show do Rec-Beat, ele estará à venda pelo preço promocional de R$ 5 – “No Carnaval, passa muita gente por aqui, por isso fazemos essa promoção. O importante é que a música circule. Com o disco circulando por mais gente no Carnaval, recuperamos no resto do ano o nosso investimento”. A Eddie tem convicção que um disco, hoje em dia, não é só mais um produto, é cartão de visitas, estratégia de negociação. “Música só gera música. Quem baixa música na internet, pode comprar o disco depois, pode ir ao show... Você pode ver que as bandas que estão se dando melhor hoje, que estão lotando shows, são aquelas do circuito alternativo, fora das gravadoras e negociando de maneira diferente a sua música”, aposta Fabinho, enquanto aproveita as experiências de mais um verão. GARDÊNIA Um dos melhores shows do último Festival no Ar: Coquetel Molotov foi a estréia de cantora da DJ Catarina Dee Jah. Numa edição marcada pelos choramingos da babyface Mallu Magalhães, a moça ironizou com a platéia, cantou disco music e brega, com letras que se equilibravam entre mais legítima fossa e o nonsense nosso de cada dia. O melhor da apresentação foi perceber a simbiose entre a Catarina-DJ (que anda meio sumida...) e a Catarina-cantora. “Só estou com raiva porque a produção me colocou para abrir o sábado do Rec-Beat, quando queria era abrir para o show de voinho”, disse a cantora, referindo-se ao norte-americano Afrika Bambaataa, “biologicamente” falando o avô de todos os DJs. O público do Rec-Beat vai encontrar um show mais autoral. “O clima permanece o mesmo, mas acho que as músicas estão bem mais formatadas. Do repertório de versões, só devo manter o Melô do pica-pau”, adiantou. Catarina parte em seguida para turnê pelo Sudeste, começando pela etapa paulistana do Rec-Beat. Por sinal, quem chegar cedo sábado no festival, a cantora prepara uma surpresa para o seu show, que é imperdível! Voltar
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