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21/2/2009 O cabaré pop de Sílvia Machete
Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

Autora de “músicas safadas para corações românticos”, a cantora e compositora Sílvia Machete é a nova bomb shell nacional-contemporânea que aporta na segunda-feira de Carnaval no palco do Rec-Beat. Bem-humorada, ela vem arregimentando fãs com sua mistura de cabaré, circo e pop: são entre seis e oito shows por mês desde que ela voltou dos Estados Unidos e da Europa, onde morou durante anos se apresentando em um caminhão. Distanciando-se do usual modelo “sofro, sou séria e super profunda” que caracteriza as cantoras nacionais, Sílvia cria, propositalmente, letras com cheiro de um perfume irreverentemente barato: “Cheguei em casa/Toda descabelada/Completamente arrependida/Do que aconteceu/Tomei cachaça/E fumei como/Maria fumaça”, canta ela em seu maior hit, Toda bêbada canta.

As dores da moça, que diz ter mudado radicalmente a vida desde que voltou ao Rio são escritas com certo deboche, mas a dor de cotovelo não é ficcional. O pileque de cachaça é real e acompanhou a nova fase da vida de Sílvia, que inclusive se separou do marido artista no processo de sua volta ao Brasil. “Mudei de País, mudei de namorado, tudo. Quando cheguei aqui, não sabia o que fazer, foi meio desesperador”, comenta ela, que, é claro, comemora a boa receptividade do público – e da mídia.

No show, onde demostra agilidades ninja (roda bambolê enquanto enrola um cigarro, sobe num trapézio, faz número em cama elástica), ela canta composições próprias como Foi ela (Foi ela quem invandiu meu endereço/Fez um fogo no começo/Fez um drama no final) e ainda sucessos como Patience (Guns’n’Roses), Gente aberta (Roberto e Erasmo) e Girls just wanna have fun (Cindy Lauper). Nesse ponto (e só nesse), Sílvia converge para uma das características de nossas cantoras sofredoras, sérias e profundas: é extremamente eclética. Anda ouvindo David Bowie, música romena e chinesa e agradece quando suas canções de tons propositalmente melodramáticos são comparadas a um Nelson Gonçalves cínico e de saias. “Minha família sempre foi extremamente musical. Cresci ouvindo Ary Barroso, Ney Matogrosso, Cartola”, comenta.

Segundo a cantora, que prepara-se para lançar um DVD com sua elogiada apresentação, o show da segunda será um pouco menor que o original (no Rec-Beat, os artistas têm 1h no palco, enquanto a performance original de Sílvia duran 1h30) e vai ser um especial voltado ao pancadão do Carnaval. “As pessoas estão mais eufóricas, mais abertas para se divertir. Temos que estar com tudo preparado”. A versão pocket de Músicas safadas para corações românticos começa às 23h10.

MUCHO GUSTO

O espanhol é a língua de duas bandas que também se apresentam na segunda: Nuages (Equador) e Desorden Público (Venezuela). A primeira, que mistura música cigana ao jazz, já tem 4 CDs lançados e é atualmente formada por Sven Pagot (guitarra e acordeão), David Bonilla (violão e guitarra), Jimmi Paez (tuba e quena), Annete Gregori (violino) e Pepe Andrade (bateria e percussão). A tertúlia dos equatorianos começa às 21h. A Desorden Público fecha o dia (que começa com a Dixie Square Band, de SP,às 17h e João do Morro, às 20h, e Ska Maria Pastora às 22h) prometendo fazer todo mundo dançar com seu ska. O grupo é rodado: nasceu em 1985 em Caracas misturando reggae, punk, new wave (e ska, é claro), e já tem oito CDs gravados.

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