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20/2/2009 Cordel há 10 anos faz chover na folia
Fonte: JORNAL DO COMMERCIO

Faz tempo do primeiro show do Cordel do Fogo Encantado no Rec-Beat. Exatos 10 anos, mas parece muito, muito mais. “Acredita que o Pina de Copacabana ainda estava para começar!”, assusta-se o vocalista Lirinha. Se hoje o Pina de Copacabana é um estabelecimento descaracterizado da Rua da Moeda, com pintura gasta e jeitão de nunca-mais, em 1999 ali morava uma promessa de revitalização do Bairro do Recife que não vingaria nos anos seguintes. Mas o início foi promissor: festas no telhado da padaria Brotfabrik, com inferninhos de novos clubbers, indies e góticos surgindo e evaporando sem nem dizer adeus, com gente bebendo até cair na barraca de Seu Rainha e com o primeiro Rec-Beat fora de Olinda. Faz mesmo muito tempo, de quando o Bairro do Recife não era uma espécie de cidade fantasma, que só acende as luzes junto com o Carnaval.

“Na Rua da Moeda, o público do Rec-Beat era bem menor, mas ainda assim especial”, lembra Lirinha. O Rec-Beat hoje se espalha pelo Cais da Alfândega, e a Rua da Moeda vira uma espécie de suporte entre os shows. Pensando assim, fica difícil imaginar a geografia carnavalesca do bairro há uma década. “Mas eu lembro de tudo o que aconteceu naquela noite”, afirma Lirinha, que retorna ao início de tudo, encerrando o festival, na madrugada da quarta-feira de cinzas.

Em 1999, o Cordel não era um grupo musical (era um projeto teatral, que usava a música como suporte para a poesia) e nem o Rec-Beat havia consolidado uma identidade. O atual empresário do grupo, Antonio Gutie Gutierrez (também idealizador Rec-Beat), conheceu o Cordel num espetáculo de teatro e por engano: na hora de ir assistir a uma peça do Janeiro de Grandes Espetáculos, trocou o endereço e acabou numa performance de seus futuros contratados no Teatro Barreto Júnior. O impacto e o convite para tocar no festival foram instantâneos. Surgia aí um dos nomes mais marcantes da cultura contemporânea de Pernambuco.

“Pessoas essenciais da nossa história passaram por esse show: Naná Vasconcelos, que iria nos produzir, o nosso iluminador Jatlys Miranda, que iria nos acompanhar nos anos seguintes, estava a MTV, que nessa época prestava muita atenção para tudo o que acontecia no Recife. Quando descemos do palco, a reação foi muito forte.” O cantor lembra que recitou um poema de 12 minutos de Chico Pedrosa. “Era um tempo em que eu recitava muitos textos de 10 e 12 minutos. Hoje em dia faço bem menos.”

Nascia então a lenda do grupo de Arcoverde que fazia chover, mas a Rua da Moeda logo ficaria minúscula para o Cordel e o Rec-Beat. “Em seguida ao show do Rec-Beat, tocamos na última noite da Soparia.”

O show de 10 anos do Cordel no Rec-Beat não será nostálgico. Lirinha chegou ao Recife ontem para ensaiar com o resto da banda. Ele estava no Rio de Janeiro, no fim da temporada da peça Mercadorias e futuro. “Vamos fazer músicas do disco novo, que havíamos prometido não tocar agora. Não seremos nostálgicos, porque na arte o importante é criar e não ficar se repetindo”.

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