Afrika Bambaataa não vem mais. Alegando problemas de saúde, o norte-americano precursor do hip hop, atração mais aguardada no Festival Rec-Beat, cancelou o show no Recife de última hora. Até o fechamento desta edição, o substituto não foi confirmado. De acordo com Antonio Gutierrez, Gutie, organizador do festival, a produção do evento está em negociação com outro nome internacional. “Queremos colocar alguém à altura de Bambaataa”, afirma. Em sua 14ª edição, o Rec-Beat, polo carnavalesco da música independente, retoma o universo do rock mais como uma postura de produção que como uma diretriz de estilo. De sábado até terça, o Cais da Alfândega é anfitrião de quem quiser conhecer bandas estrangeiras ou prestigiar a cena local. “A irreverência do Rec-Beat também faz parte do espírito carnavalesco”, afirma Gutie. A ousadia é reunir, no mesmo palco, tradicionalismo e espírito de gafieira. João do Morro, por exemplo, cantor da periferia que caiu no gosto da classe média, se apresenta na segunda (confira a programação ao lado), antes de atrações como a equatoriana Nuages. Isso significa que composições como Papa-frango e Balaiagem, politicamente incorretíssimas, dividirão a atenção com o jazz aberto à influência da bossa nova e de ritmos latinos, quase erudito, do grupo equatoriano. A diversidade que dá cara ao Rec-Beat surge da fusão entre as diferenças. O divertido é exatamente acompanhar a mistura de tendências, sem hierarquizar a cultura com jargões como “fino” ou “somente engraçado”. Entre erudições e sacanagem, a olindense Catarina Dee Jah, no sábado, apresenta repertório que lembra o tino irônico de João do Morro, com um olhar nada mulherzinha que reescreve o desprendimento do brega. Catarina está bem longe do morro, mas isso não importa. “A gente busca o que acha interessante”, explica Gutie. As tensões estão presentes até na hora de classificar as atrações. Quem consegue rotular o som de Clay Ross, norte-americano que funde elementos de jazz, country e blues a ritmos típicos da cultura nordestina? Ou, na lógica contrária, dos pernambucanos do Ska Maria Pastora, que diluem o frevo na entoada do ska? Com uma programação recheada de nomes latino-americanos, Gutie afirma que o importante é a busca pela novidade. “É interessante se abrir para uma produção que chega pouco ao Brasil, que é a dos países vizinhos”, diz. A venezuelana Desorden Publico, uma das escaladas, mostra no Recife o ska que, em 20 anos, a transformou num dos principais grupos de rock do país. Destaque no festival são as pernambucanas Eddie, que apresenta o disco Carnaval no Inferno, e Cordel do Fogo Encantado, que comemora seus 10 anos de carreira. Carnaval mesmo fica por conta do Bloco Quanta Ladeira, no domingo. Lula Queiroga e seus amigos repetem a algazarra que esgotou os ingressos da prévia de ontem. Voltar
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