Cabelos desgrenhados, bigode cobrindo a boca, coturno, uma lata de Pitú no canto da mesa e uma camisa com a bandeira de Pernambuco com as mangas rasgadas. O frontman do Gogol Bordello, o ucraniano Eugene Hutz, precisou de pouco para conquistar quem assistiu A sua apresentação nesse sábado à noite, no primeiro dia do festival Rec-Beat, no Cais da Alfândega. Sequer abriu a boca e já escutou a multidão gritar o nome da sua banda. [Veja vídeos abaixo e ao lado] "Respectus Maximus! Viemos de longe, do Leste Europeu, mas nosso coração bate no mesmo ritmo do Carnaval. Estamos orgulhosos de estar aqui e vamos fazer um russo-cigano-carnaval-punk!", anunciou, com o auxílio da tradução da romena Diana que fazia as vezes de dançarina exótica e backing vocals, Contando ainda com a participação de um DJ russo e um vocalista equatoriano. A mistura ensandecida de ritmos armênios, célticos, batidas frenéticas e muita, muita disposição, esquentou o clima e balançou o público. Hutz discotecou, pulou, dançou, se sacudiu, subiu na mesa, balançou as pernas, jogou cerveja na galera, fez caras e bocas, tirou a camisa, cantou uma versão de Tropicana (Morena Tropicana), de Alceu Valença, mandou mais de um frevo - inclusive um de sua autoria, classificado como russo-frevo. Em suma, comandou a catarse que o primeiro dia de Carnaval precisava, ainda mais após o cancelamento dos shows no palco principal do Bairro do Recife, no Marco Zero. No final, o público, que havia pulado como se estivesse em uma micareta dessas da vida, pediu bis debaixo de um aguaceiro e ainda se encheu de ufanismo para gritar "Brasil! Brasil! Brasil!" Impossível deixar de pensar se a lenda do hip-hop, Afrika Bambaataa, que cancelou seu show no Recife por motivos de saúde, faria uma festa tão intensa. Gogol Bordello fechou uma noite de ótimas apresentações no Rec-Beat. Antes dele, DJ Dolores esquentou a massa que migrou dos demais polos com versões repaginadas de seus sucessos com muitos metais e peso no baixo e guitarra, em um set list elaborado especialmente para o Carnaval. Contou com a participação de um percussionista francês, uma dançarina tailandesa e do saxofonista carioca Leo Gandelman. Mas quem deu alma ao show foi o cantor Júnior Black, que interpretou com um belo vozeirão e muito suingue músicas como Azougue, Tocando o terror e Cala cala. O DJ pernambucano sucedeu o chileno Original Hamster, que comandou sozinho e bem à vontade - de bermuda e sandália de dedo - um show pouco compreendido (mas muito legal, entremeando o som da pick-up com trechos vocais cantados ao vivo). Voltar
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