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23/2/2009 Rec Beat se rende ao pagodeiro João do Morro
Fonte: UOL
João do Morro, a primeira atração do Rec Beat desta Segunda-feira de Carnaval, estava receoso com relação à recepção do público para o seu show. "Nunca tinha tocado para um público do rock, estava com medo de acontecer comigo o que aconteceu com Carlinhos Brown no Rock in Rio", confessou o pagodeiro, o fenômeno musical do Recife em 2008.

Ao ser ovacionado pelo público, que exigiu sua volta em um bis fora do roteiro do festival, João do Morro não se conteve e, abandonando a postura de "tirador de onda", como ele mesmo se classifica, chorou. "Eu não consigo descrever a alegria de ver o povo cantando minhas músicas, foi inesquecível", comentou João depois do show. "Foi mais uma barreira que eu quebrei."

Autor de músicas como "Papa Frango", "Balaiagem" e "Bicha Boa", entre outras, João é o criador de um universo próprio. Suas músicas falam da relação interesseira entre hetero e homossexuais, sobre a "chapinha" que as mulheres passam no cabelo e os malabarismos para evitar que o penteado se estrague com a chuva, ou sobre o casal que, sem dinheiro para falar ao celular, constrói diálogos em menos de três segundos.

Em agosto de 2008, a ONG Leões do Norte, que defende os direitos dos homossexuais, entrou com uma representação pública contra o pagodeiro devido a letra de "Papa Frango", que tem versos como "Ei boyzinho, você é papa frango! / Ei boyzinho, olha, deixa do teu caô! / Ei boyzinho, essa camisa, essa bermuda! / Ei boyzinho, foi o seu frango que comprou". "Boyzinho" é uma gíria recifense que serve tanto de sinônimo para namorada ou "ficante" como para "playboy".

Resolvida, a polêmica virou tema de mais uma música de João, presente no repertório do show do Rec Beat: "Eu não tenho preconceito / E se você olhar direito / Hoje em dia o mundo é gay".

Criticas e polêmicas à parte, o pagode de João do Morro não é difícil de se classificar. Trata-se de uma sátira, muito bem resolvida, do dia-a-dia do Morro da Conceição, periferia do Recife, e, por extensão, um retrato suburbano da capital pernambucana. A música de João do Morro, apesar de ser repleta de rimas e trocadilhos impublicáveis, conquista justamente por sua sinceridade. Voltar