Ao ser ovacionado pelo público, que exigiu sua volta em um bis fora do roteiro do festival, João do Morro não se conteve e, abandonando a postura de "tirador de onda", como ele mesmo se classifica, chorou. "Eu não consigo descrever a alegria de ver o povo cantando minhas músicas, foi inesquecível", comentou João depois do show. "Foi mais uma barreira que eu quebrei." Autor de músicas como "Papa Frango", "Balaiagem" e "Bicha Boa", entre outras, João é o criador de um universo próprio. Suas músicas falam da relação interesseira entre hetero e homossexuais, sobre a "chapinha" que as mulheres passam no cabelo e os malabarismos para evitar que o penteado se estrague com a chuva, ou sobre o casal que, sem dinheiro para falar ao celular, constrói diálogos em menos de três segundos. Em agosto de 2008, a ONG Leões do Norte, que defende os direitos dos homossexuais, entrou com uma representação pública contra o pagodeiro devido a letra de "Papa Frango", que tem versos como "Ei boyzinho, você é papa frango! / Ei boyzinho, olha, deixa do teu caô! / Ei boyzinho, essa camisa, essa bermuda! / Ei boyzinho, foi o seu frango que comprou". "Boyzinho" é uma gíria recifense que serve tanto de sinônimo para namorada ou "ficante" como para "playboy". Resolvida, a polêmica virou tema de mais uma música de João, presente no repertório do show do Rec Beat: "Eu não tenho preconceito / E se você olhar direito / Hoje em dia o mundo é gay". Criticas e polêmicas à parte, o pagode de João do Morro não é difícil de se classificar. Trata-se de uma sátira, muito bem resolvida, do dia-a-dia do Morro da Conceição, periferia do Recife, e, por extensão, um retrato suburbano da capital pernambucana. A música de João do Morro, apesar de ser repleta de rimas e trocadilhos impublicáveis, conquista justamente por sua sinceridade. Voltar
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