Depois do hype do tecno-brega e das aparelhagens, que colocou Belém na rota das periferias brasileiras "consumíveis" pelo pop, é a vez da cultura popular da região mostrar sua diversidade. O Rec Beat confirma sua proposta de plataforma das vanguardas e traz para a sua programação mais uma novidade da música paraense. Em 2005, a guitarrada do La Pupunã integrou a grade do festival. Nesta edição, a Metaleiras do Amazonas participa da penúltima noite do evento, no Bairro do Recife. Apesar do nome, a Metaleiras não tem a ver com a galera do heavy metal. "As pessoas não sabem muito bem o que esperar", confessa o guitarria Léo Chermont. "O nome é rock and roll. E eles têm atitude rock. Não é nada de balançar a cabeça; é a performance", comenta o músico sobre o núcleo base da banda. Manezinho do sax, Pantoja do Pará e Pipira do trombone são três músicos da "velha guarda", que começaram a tocar quando Belém vivia a febre da vida boêmia em seus merengues, lambadas e carimbós tocadosna zona de prostituição da cidade. Ritmos de origem caribenhas se entrosaram sem cerimônia a manifestações indígenas e percorreram a metrópole, entrecortada de comunidades ribeirinhas, que agora reprocessa essa tradição com o diálogo entre gerações distintas de músicos. O trio de metal, formado por músicos da banda militar de Belém, foi acoplado ao núcleo de produção musical que envolve os músicos Léo Chermont, Calibre, João Gordo e Jô, todos na faixa dos vinte e poucos anos. Eles estão concentrados em pleno coração de Belém, no Mercado de Ver-o-Peso, onde, segundo Léo, a sonoridade da vida urbana inspira as criações dessa interseção de tempos culturais tão diferentes. A música intrumental, dançante, suíngada une essas experiências. "Montamos esse núcleo de experimentações sonoras há dois anos. A gente experimenta o que quer com a cidade. Estamos no meio do comércio, observando a sonoridade da cidade e do seu cotidiano atual. Manezinho, Pipira e Pantoja vivem o lado menos urbano mas conhecem profundamente asraízes musicais da região. Cada um tem sua particularidade", observa. Para Léo, a passagem pelo Rec Beat é uma forma de revelar que Belém do Pará não vive apenas sob o efeito do tecno-brega. "Passamos por uma fase de produção intensa e Belém ainda tem muita coisa para mostrar", conclui. Voltar
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