23 de fev de 2012
Rec-Beat encerra sua 17ª edição incendiando o Cais da Alfândega
Por Bruno Guimarães
Numa das melhores edições realizada ao longo desses dezessete anos, o Festival Rec-Beat chegou à sua última noite com a sensação de dever cumprido. Além do público fiel que comparecia ao Cais da Alfândega, numa média de 38 mil pessoas por noite, o festival levantou diversas bandeiras defendidas por sua produção. Passando pela valorização e integração da música latino americana; pela conexão histórica promovida entre as músicas de Pernambuco e do Pará; pelo espaço dado aos novos talentos, ainda pouco conhecidos; pelos novos projetos de artistas consagrados que se reinventam; pela música popular em diálogo com a contemporânea; pela valorização de artistas locais; entre tantas outras causas.
Para abrir a noite de despedida da sua 17ª edição, o Rec-Beat recebeu o pernambucano Lucas e a Orquestra dos Prazeres. Considerado como uma das grandes surpresas dentro da programação do festival, Lucas fez uma apresentação explosiva com sua orquestra, com um frenético e ritualístico domínio dos instrumentos percussivos. Considerado como o sucessor de Naná Vasconcelos, Lucas aproveitou o palco do Rec-Beat para homenagear o percussionista com a música Nêgo Véio. A chuva que ora caia, ora sumia, parecia ser controlada pelos batuques de Lucas e a Orquestra dos Prazeres.
A segunda atração da noite chegou recheada de psicodelia e sensualidade. Com um público que já lotava o Cais da Alfândega, a paulista Cibelle, considerada por muitos como a renovação do tropicalismo brasileiro, trouxe um repertório que oscilava entre o romantismo, o carnavalesco e o punk psicodélico. Mesmo com o pé lesionado, a cantora, muito bem acompanhada pela banda Do Amor, mostrou uma forte presença cênica, domínio de voz, carisma, psicodelia e sensualidade. Os melhores momentos do show estiveram nas interpretações para Está na cara (Gilberto Gil) e Pamonha.
Às 22h foi a vez da cubana Yusa temperar com latinidade a última noite do Festival Rec-Beat 2012. Entre o romantismo e o balanço dos ritmos cubanos, Yusa, desconhecida pela maioria que estava ali, logo conquistou a multidão que se entregava ao seu ritmo. A cantora sustentou o show inteiro dançando com o público e mantendo timbres altos e afinados. Ao final do show, o público pediu bis para Yusa, que logo tratou de se despedir atendendo o pedido do público e cantando a música Chiquichaca.
Em seguida, foi a vez do Pará invadir o palco do Rec-Beat pela segunda vez nesta edição. Depois da pressão na caixa da Gang do Eletro, foi a vez da diva do carimbó chamegado, Dona Onete, trazer toda a tradição e irreverência da música paraense ao festival. Ovacionada pelo público que se espremia no Cais da Alfãndega, a jovem senhora de 72 anos emocionou a multidão pedindo licença para cantar Não existe amor em SP, de Criolo. O formato do show trouxe a figura de Dona Onete como a representação das tradições populares, que convidando artistas da nova geração como Luê Soares, Lia Sophia e Felipe Cordeiro, mostrou o quão rica e viva está a nova cena musical parense. Dona Onete se despediu cantando Jamburana, canção que fala dos efeitos do licor de jambu, uma receita herdada da tradição indígena amazônica.
No Cais da Alfândega já não cabia ninguem quando o paulistano Criolo subiu ao palco do Rec-Beat. Uma das atrações mais aguardada desta 17ª edição do festival, o cantor contou com a participação de um público eufórico, que o acompanhou com os braços para cima e versos decorados em canções como Subirusdoistiozin, Freguês da meia noite, Não existe amor em SP e Bogotá. Vestindo a bandeira de Pernambuco, Criolo lembrou ser filho de nordestinos.Usando pinheiros de papel presos em um dos braços e no microfone, Criolo parecia fazer referências à comunidade de Pinheirinho (SP). Numas das músicas, homenageou Chico Buarque com um rap na melodia de Cálice.

















































