Recbeat 2012

Recbeat 2012

23 de fev de 2012

Rec-Beat encerra sua 17ª edição incendiando o Cais da Alfândega

Por Bruno Guimarães

Numa das melhores edições realizada ao longo desses dezessete anos, o Festival Rec-Beat chegou à sua última noite com a sensação de dever cumprido. Além do público fiel que comparecia ao Cais da Alfândega, numa média de 38 mil pessoas por noite, o festival levantou diversas bandeiras defendidas por sua produção. Passando pela valorização e integração da música latino americana; pela conexão histórica promovida entre as músicas de Pernambuco e do Pará; pelo espaço dado aos novos talentos, ainda pouco conhecidos; pelos novos projetos de artistas consagrados que se reinventam; pela música popular em diálogo com a contemporânea; pela valorização de artistas locais; entre tantas outras causas.

Show de Criolo fechou o Rec-Beat em grande estilo

Para abrir a noite de despedida da sua 17ª edição, o Rec-Beat recebeu o pernambucano Lucas e a Orquestra dos Prazeres. Considerado como uma das grandes surpresas dentro da programação do festival, Lucas fez uma apresentação explosiva com sua orquestra, com um frenético e ritualístico domínio dos instrumentos percussivos. Considerado como o sucessor de Naná Vasconcelos, Lucas aproveitou o palco do Rec-Beat para homenagear o percussionista com a música Nêgo Véio. A chuva que ora caia, ora sumia, parecia ser controlada pelos batuques de Lucas e a Orquestra dos Prazeres.

A segunda atração da noite chegou recheada de psicodelia e sensualidade. Com um público que já lotava o Cais da Alfândega, a paulista Cibelle, considerada por muitos como a renovação do tropicalismo brasileiro, trouxe um repertório que oscilava entre o romantismo, o carnavalesco e o punk psicodélico. Mesmo com o pé lesionado, a cantora, muito bem acompanhada pela banda Do Amor, mostrou uma forte presença cênica, domínio de voz, carisma, psicodelia e sensualidade. Os melhores momentos do show estiveram nas interpretações para Está na cara (Gilberto Gil) e Pamonha.

Às 22h foi a vez da cubana Yusa temperar com latinidade a última noite do Festival Rec-Beat 2012. Entre o romantismo e o balanço dos ritmos cubanos, Yusa, desconhecida pela maioria que estava ali, logo conquistou a multidão que se entregava ao seu ritmo. A cantora sustentou o show inteiro dançando com o público e mantendo timbres altos e afinados. Ao final do show, o público pediu bis para Yusa, que logo tratou de se despedir atendendo o pedido do público e cantando a música Chiquichaca.

Em seguida, foi a vez do Pará invadir o palco do Rec-Beat pela segunda vez nesta edição. Depois da pressão na caixa da Gang do Eletro, foi a vez da diva do carimbó chamegado, Dona Onete, trazer toda a tradição e irreverência da música paraense ao festival. Ovacionada pelo público que se espremia no Cais da Alfãndega, a jovem senhora de 72 anos emocionou a multidão pedindo licença para cantar Não existe amor em SP, de Criolo. O formato do show trouxe a figura de Dona Onete como a representação das tradições populares, que convidando artistas da nova geração como Luê Soares, Lia Sophia e Felipe Cordeiro, mostrou o quão rica e viva está a nova cena musical parense. Dona Onete se despediu cantando Jamburana, canção que fala dos efeitos do licor de jambu, uma receita herdada da tradição indígena amazônica.

No Cais da Alfândega já não cabia ninguem quando o paulistano Criolo subiu ao palco do Rec-Beat. Uma das atrações mais aguardada desta 17ª edição do festival, o cantor contou com a participação de um público eufórico, que o acompanhou com os braços para cima e versos decorados em canções como Subirusdoistiozin, Freguês da meia noite, Não existe amor em SP e Bogotá. Vestindo a bandeira de Pernambuco, Criolo lembrou ser filho de nordestinos.Usando pinheiros de papel presos em um dos braços e no microfone, Criolo parecia fazer referências à comunidade de Pinheirinho (SP). Numas das músicas, homenageou Chico Buarque com um rap na melodia de Cálice.

21 de fev de 2012

Uma noite para recordar no Rec-Beat 2012

Promovendo uma ponte entre o Carnaval do Recife e a música do mundo, o festival Rec-Beat chega ao último dia de sua 17ª edição cada vez mais antenado. Um leque de opções de ritmos e estilos se abre neste festival, que cresce de tamanho e importância a cada edição. A última noite contempla várias bandeiras defendidas pela produção do Rec-Beat, que vão desde a revelação e a aposta em novos talentos, passando pela integração musical latino-americana, até o encontro de diferentes gerações no palco do festival, tudo isso numa noite para ficar guardada na memória do carnaval pernambucano.

A noite começa com o DJ Patrick Tor4. Já conhecido das noites recifenses, Patrick traz em seu setlist um pouco de Carimbó, Lambada, Tecnobrega e Guitarrada, que misturadas com cumbia, funk carioca, kuduro, Balkan Beats, entre outros, formam o Baile Tropical do DJ.

Grande aposta da produção do festival neste ano, Lucas e Orquestra dos Prazeres é a segunda atração da noite. Filho de bailarinos, o pernambucano Lucas começou a ser artista aos dois anos e meio de idade e, deste então, vem recolhendo referências que usa no seu espetáculo de percussão. Nele, Lucas integra à sua arte a herança cultural de sua família e cultiva suas raízes do coco e do maracatu. Enfatizando o respeito e reverência aos grandes mestres – das mais variadas linhas, como eruditos e africanos –, o show com a Orquestra dos Prazeres reúne percussão, canto, movimento e luz. Formada por 19 integrantes, a Orquestra dos Prazeres leva o sobrenome de Lucas.

Cibelle e sua psicodélica "nova MPB"

Cibelle e Yusa
Às 21h, entra em cena a beleza vocal, elegância e psicodelia de Cibelle. Foi com o seu curioso “tropical punk” que a cantora, compositora, multi-instrumentista e atriz, Cibelle, conquistou os ouvidos de diversos países da Europa. Em palco, ela mostra como a interpretação e a psicodelia se tornam um show à parte. A performática Cibelle, no entanto, recusa rótulos musicais, tendo suas influências passeando desde Tom Jobim e Jackson do Pandeiro até Nina Simone e Bjork. Dona de uma voz apaixonante, Cibelle promete fazer um show inesquecível e impactante no Rec-Beat 2012.

Mais uma representante da conexão Brasil-América Latina – tão valorizada pelo Rec-Beat, a cubana Yusa é a próxima atração da noite.Yusa é a cara da música contemporânea cubana que condensam a tradição com sons vindos de diferentes partes do mundo. No caso particular desta compositora e intérprete, há mistura de rock, jazz, pop, música negra, brasileira e a tradicional cubana: rumba e trova. A relação de Yusa com o Brasil vai além das influências. Em 2005 foi convidada pelo músico Lenine para a gravação do DVD em Paris. Com quatro discos lançados, a cubana vem ao Brasil com seu último trabalho gravado em 2010, em Buenos Aires.

Dona Onete - rainha do carimbó chamegado

Logo em seguida é a vez da diva do Carimbó chamegado, Dona Onete, subir ao palco para mostra quão viva está a tradição da música paraense. Com composições picantes, inspirada nos ritmos tradicionais do Pará, Ionete da Silveira Gama tem 72 anos com a vitalidade de 20. No Rec-Beat, ela estará com seu novo Show “Dona Onete Convida”, com os artistas paraenses Luê Soares, Lia Sophia e Felipe Cordeiro. O projeto foi criado este ano para comemorar os 396 anos da cidade de Belém no Conexão Cultura ao vivo, Programa de Rádio que passa na TV (Cultura). O grupo promete tremer o palco com as canções do seu novo trabalho, o “Feitiço Caboclo”, primeiro disco da carreira da jovem senhora.

Para encerrar o festival, o Rec-Beat tem a honra de trazer ao palco o brasileiro Kleber Gomes, mais conhecido como Criolo. Com mais de 20 anos de estrada, Criolo só despontou em 2011 como um novo sopro no hip hop brasileiro, que há anos andava estagnado, e aparece no topo de praticamente todas as listas de melhores de 2011 da crítica especializada. Entre os vários títulos recentes, foi sucesso no VMB 2011 – Melhor Disco (Nó na Orelha), Melhor Música (Não existe Amor em SP) e Revelação. Compondo desde os 11 anos de idade, ele é capaz de criar letras e transformar pequenas cenas em rimas como se fosse uma máquina industrial. No Rec-Beat, Criolo apresentará seu disco Nó na Orelha, que impressiona pelo estilhaçamento de ritmos e pelas letras que passeiam de imagens poéticas a ataques críticos, num trabalho que lhe rendeu elogios de artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque.

Criolo é um verdadeiro fenômeno da música brasileira atual

Histórico
Hoje um dos maiores eventos do calendário musical pernambucano, o Rec-Beat integra a Asociacion para el Desarollo de la Industria de la Musica Iberoamericana. O festival, que começou em Olinda em 1995, onde boa parte das clássicas bandas do movimento manguebeat surgiu, migrou alguns anos depois para o Recife. E hoje, com patrocínio da Prefeitura do Recife, é realizado com sucesso no Cais da Alfândega com capacidade de receber até 20 mil pessoas por noite.

Rec-Beat 2012
Cais da Alfândega, Recife
Acesso gratuito

Terça (21/02)
19h30 – Patrick Tor4 (SE)
20h – Lucas e Orquestra dos Prazeres (PE)
21h – Cibelle (SP)
22h – Yusa (Cuba)
23h15 – Dona Onete e convidados (PA)
0h30 – Criolo (SP)
Nos intervalos: DJ Patrick Tor4 e VJ Mary Gatis

21 de fev de 2012

Euforia e emoção na segunda-feira de carnaval do Rec-Beat 2012

Numa noite marcada pela euforia dos fãs do Agridoce e pela emoção do cantor Lirinha, o Rec-Beat chegou ao terceiro dia de festa e música de qualidade no carnaval do Recife. Entre as demais atrações do dia, o Rec-Bitinho trouxe o encanto das Fadas Magrinhas e a magia do circo do Giullari Del Diavolo, a juventude feminista e os batuques da Rumbanda, o curioso experimentalismo da suíça OY e a originalidade e energia da Bixiga 70.

Às 16h dezenas de pequenos foliões já se reuniam no Paço Alfândega para ver as gêmeas Lulu e Aninha Araújo representando as Fadas Magrinhas. Resgatando a tradição das marchinhas de carnaval e perpetuando valores de música de qualidade para as crianças, a Fadas proporcionaram momentos de alegria para pais e filhos. Em seguida, foi a vez da magia do circo italiano Giullari Del Diavolo entrar em cena, numa apresentação marcada pela interação com o público, além do encanto apresentado nos números de malabarismos.

Fadas Magrinhas (foto) começaram as apresentações. Em seguida foi a vez do Giullari Del Diavolo - Foto: Maíra Gamarra

Para começar a festa do grande público, o DJ Roger de Renor , conhecido por ser um dos agitadores culturais mais antenados e carismático de Pernambuco, assumiu as pick-ups no palco do Rec-Beat 2012. Com um público que não parava de se aglomerar próximo ao palco, Roger mostrou o que tem de melhor nos seus arquivos de música brasileira, resgatando, por exemplo, canções da nata do movimento tropicália brasileiro.

Dando continuidade à terceira noite de festival, as meninas do Rumbanda incendiaram o público que chegava ao Cais da Alfândega com seus batuques e composições eletrizantes. Numa mistura de maracatu com umbanda, o show proporcionou ao público um verdadeiro ritual musical, numa tênue linha entre a religiosidade e a cultura, que logo agradou os presentes.

Após o agito dos batuques do maracatu, foi a vez da suíça OY mostrar todo o experimentalismo de sua música. No palco, uma bateria, a mesa eletrônica e pequenos objetos, que manipulados por OY, emitiam sonoridades exóticas que se reproduziam em loop, formando as bases para a cantora soltar a voz. O show despertou a curiosidade do público, que acompanhava cada movimento da cantora com atenção.

Pitty e Martin levaram os fãs ao êxtase - Foto: Caroline Bittencourt

Com uma plateia que já lotava o Cais da Alfândega, Pitty e Martin subiram ao palco por volta das 22h para apresentar o novo projeto Agridoce. A euforia do público foi, sem dúvidas, um show a parte na noite. Entre gritinhos e placas com declarações de amor para a baiana Pitty, o público acompanhava em coro as novas canções do Agridoce, principalmente nos momentos de 20 passos e Dançando.

Passada a euforia, foi a vez da emoção invadir o palco do Rec-Beat. Numa apresentação para ficar guardada na história do carnaval pernambucano, José Paes de Lira (Lirinha) trouxe toda a poética e teatralidade que marcaram sua carreira como músico. Durante o show, um público emocionado observava cada poema declamado e cantava desde as canções mais antigas até as mais recentes, presentes no novo disco, Lira. Lirinha ainda aproveitou o encontro para homenagear o compositor Lula Côrtes, cantando o frevo A pisada é essa.

Lirinha apresentou seu novo trabalho solo - Foto: Caroline Bittencourt

Finalizando o terceiro dia, a Bixiga 70 trouxe toda a diversidade do seu som para o palco do festival. Nascido no bairro paulistano do Bixiga, o grupo apresentou uma instigante releitura da música cosmopolita de países como Gana e Nigéria, dos tambores dos terreiros e do samba, da música malinké e de uma atitude despretensiosa e sem limites para o improviso e a dança. Numa noite de fortes encontros e emoções no Rec-Beat 2012, a big band impôs, antes de qualquer ritmo, o alto astral de suas sonoridades.

20 de fev de 2012

Grandes nomes da música chegam de cara nova ao Rec-Beat

Dois grandes nomes da música brasileira se encontram no palco do Rec-Beat, nesta segunda-feira de carnaval, para mostrar como é possível se reinventar a cada dia. Pitty, ícone do rock nacional, ao lado do músico Martin desenvolveu o projeto Agridoce, que troca o barulho das baterias pela suavidade e romantismo do folk. Do outro lado José Paes de Lira, o Lirinha, que após anos a frente da aclamada Cordel do Fogo Encantado, sentiu a necessidade de se reinventar em carreira solo e desenvolveu um trabalho ainda mais visceral. É assim que o Rec-Beat, que é patrocinado pela Prefeitura do Recife, vem cumprindo sua tarefa de incentivar a reciclagem de artistas já consagrados da nossa música e abre as portas para a apresentação desses novos trabalhos.

Para a criançada
Antes destas tão aguardadas apresentações, o Rec-Bitinho vai fazer a festa dos pequenos foliões no Cais da Alfândega. A partir das 16h, o encanto dos contos folclóricos e populares de pernambucano se apresenta no projeto As Fadas Magrinhas das gêmeas Lulu e Aninha Araújo. A dupla promete divertir a futura geração de foliões com releitura de clássicos infantis em ritmos de frevo e marchinhas. A partir das 17h, é a hora da magia do circo continuar a festa da criançada com os italianos do Giuliari Del Diavolo. A atração retrata, de forma cômica, o confronto entre o anjo Gabriel, um malabarista perfeccionista e sua ajudante, a sambista Querubina. Durante o número, são utilizadas técnicas sofisticadas de malabarismo, bolas de contato e fogo.

O grupo italiano Giullari del Diavolo traz arte circense

Às 19h30, o DJ Roger de Renor assume a pickup para animar o público na segunda-feira de carnaval. O radialista e festeiro Roger, misturar música da radiola de ficha com rádio web, de Pernambuco e do resto do Brasil, num som divertido e sempre surpreendente.

Percussão feminina
Na sequência, é a vez das oito mulheres que fazem o som percussivo da Rumbanda mostrar porque mereceram entrar na programação do Rec-Beat 2012. A Rumbanda surgiu em 2001, na oficina de percussão coordenada por Toca Ogan, da Nação Zumbi. A presença afro-brasileira no som do grupo é forte e o nome da banda dá a dica de sua marca: o “Rum” é um instrumento usado no culto aos Orixás. Nas apresentações, esse contexto fica ainda mais forte com a presença de dançarinos que ajudam a espalhar a energia das mulheres do palco para o público.

Após toda ginga afro-brasileira, é a hora de OY assumir o palco do festival. Usando a memória infantil de vários amigos, OY – ganesa radicada na Suíça – entrou em uma verdadeira jornada musical para suas composições. O trabalho começou em 2007 e contou com ajuda de outros músicos nas gravações, como o baterista Marcel Blatti, que a acompanha no show do Rec-Beat. OY lançou seu primeiro trabalho em fevereiro de 2010 pelo cultuado selo Creaked Records. Suas músicas são puro noise e sombrias, capazes de criar imagens sonoras e ferver qualquer pista de dança.

Agridoce
Às 22h, sobe ao palco uma das atrações mais aguardadas desta edição do Rec-Beat. A cantora baiana Pitty vai apresentar seu projeto paralelo Agridoce. Longe da distorção e das baterias barulhentas, Pitty e Martin Mendezz (músico de sua banda) fundaram o Agridoce. Com uma pegada mais acústica, bem diferente de tudo aquilo que o público já ouviu no som da cantora baiana, a dupla conduz belas e novíssimas canções, em maior parte do tempo com piano, violão e voz. Definido por eles como representante do “fofolk” (folk mais fofo), o projeto, lançado ainda no final de 2011, conta com canções em inglês, português e francês, que chegam pela primeira vez ao Recife no palco do Rec-Beat.

Logo em seguida o Rec-Beat continua em estado de emoção, lirismo e apresentação de novos projetos de artistas já consagrados. Depois de quase onze anos a frente da banda Cordel do Fogo Encantado, José Paes de Lira, Lirinha, abraçou mais um desafio e enfrentou a angústia de trilhar novos caminhos com sua produção musical. Em 2011 lançou seu primeiro trabalho solo, batizado Lira e considerado um dos melhores álbuns do ano. Em Lira, Lirinha se reinventa com uma sonoridade que passa pela utilização de guitarras, teclados, sintetizadores, percussão e bateria, resultando em uma surpreendente e inovadora incursão em território que lhe é familiar: a tênue fronteira entre a música e a poesia. Além das faixas inéditas do álbum Lira, o show no Rec-Beat contará com algumas músicas de sua autoria, registradas quando integrava o grupo Cordel do Fogo Encantado.

Big band
Para finalizar a terceira noite do festival, é a energia e o talento da Bixiga 70 que entra em ação no Rec-Beat. Criada no bairro paulista do Bixiga, a big band formada por dez músicos, faz, no nome, uma referência ao Afrika’70, que acompanhava o nigeriano Fela Kuti (1938-1997), criador do afrobeat. Considerado por muitos o berço do samba paulistano, o bairro do Bixiga também hospeda e alimenta a imaginação desses dez músicos que buscam estreitar laços entre passado e futuro por meio de uma leitura da música cosmopolita de países como Gana e Nigéria, dos tambores dos terreiros e do samba, da música malinké e de uma atitude despretensiosa e sem limites para o improviso e a dança.

Mais Rec-Beat
Contando também com o apoio da Funarte, através do prêmio Procultura, a programação do Rec-Beat segue até a terça-feira de carnaval (21/02). Ao todo, serão mais de 20 atrações nacionais e internacionais, com acesso gratuito, no Cais da Alfândega.

Nesta segunda e terça, o Rec-Beat também promove a Hell-q-Beat, no Tebas, festa inferninho pós show do festival, realizada a partir da meia-noite. A programação foi pensada nos apaixonados pelo carnaval que não querem interromper a festa na madrugada e sim seguir até o dia clarear com uma diversificada e divertida seleção de DJs, da globalibre da Alemanha, passando pelos rockers de São Paulo até chegar no tecnomelody do Pará. Entrada: R$ 15 (preço único).

Rec-Beat 2012
Cais da Alfândega – Recife Antigo
Acesso gratuito

Segunda (19/02)
16h – Rec-Bitinho – Fadas Magrinhas (PE) – Paço Alfândega
17h – Rec-Bitinho – Giullari Del Diavolo (Itália) – Palco Rec-Beat
19h30 – DJ Roger de Renor (PE)
20h – Rumbanda (PE)
21h – Oy – Joy Frempong (Suíça)
22h – Agridoce (Pitty e Martin, BA)
23h15 – José Paes de Lira (Lirinha, PE)
0h30 – Bixiga 70
Nos intervalos: DJ Roger de Renor

Clique aqui para ver a programação completa do Rec-Beat 2012.

20 de fev de 2012

Ritmos contagiantes no segundo dia do Rec-Beat 2012

O segundo dia do festival Rec-Beat começou fervendo. O domingo caloroso reuniu, desde o fim da tarde, um público de aproximadamente 20 mil pessoas no Cais da Alfândega. Numa noite marcada pela diversidade de ritmos e gêneros musicais, o festival Rec-Beat contou, por mais um ano, com o deboche do bloco Quanta Ladeira, e nesta edição trouxe também o experimentalismo da Embuás, as batidas do funkeiro Sany Pitbull, a vitalidade do Silver Apples, o gingado de Tony Tornado e a latinidade da Systema Solar.

Já consolidado como tradição do carnaval pernambucano, o Quanta Ladeira começou a destilar o seu veneno no fim da tarde, agitando o público ávido por humor inteligente, que lotava o Cais da Alfândega. Com a participação de artistas como China, Chico César, Luiza Possi e Pitty, o Quanta comemorou os 15 anos de existência do bloco em grande estilo, satirizando em suas composições impublicáveis nomes como Rita Lee e Amy Whinehouse, além de políticos e outros famosos.

Vários artistas se reuniram no bloco mais engraçado do Recife - Foto: Maíra Gamarra

Passada a euforia do bloco, coube ao DJ 440 o ofício de manter a animação com suas mixagens recheadas de referências da música brasileira e latina. Em seguida, foi a vez do grupo pernambucano Embuás mostrar todo o seu experimentalismo em formato de orquestra. Com o palco tomado por instrumentos exóticos como o didjeridoos (instrumento de sopro de aborígenas australianos), os 11 músicos impressionaram o público num estilo que pode ser considerado um jazz universal, turbinado com ritmos de diversos lugares do mundo.

Funk e música eletrônica
Na sequência, foi a vez do DJ Sany Pitbull explodir o Cais da Alfândega com as batidas do funk carioca. O show promovido em parceria com o Red Bull Funk-se Tour, transportou toda a energia que só se pode encontrar nos maiores bailes do Rio de Janeiro, contando com a presença de duas dançarinas de funk e com a participação do rapper pernambucano Zé Brown. Nesse momento, ninguém mais se segurava e todos se entregaram ao ritmo de Sany.

Zé Brown e Sany Pitbull: receptividade enérgica da plateia - Foto: Maíra Gamarra

Por volta das 22h, aconteceu um dos shows mais memoráveis da história do carnaval pernambucano, o do mito Silver Apples. Munido de uma parafernália única de osciladores, que ele mesmo criou utilizando suas habilidades de engenheiro e amante de música, Simeon Coxe III conseguiu o inimaginável ao fazer a multidão presente dançar em um transe obtido a partir de sua música, que provavelmente poucos dali conheciam.

Protagonizando um dos momentos mais eletrizantes do segundo dia do festival, Tony Tornado trouxe todo o swing e gingado da black music ao palco do festival. O “garoto” de quase 82 anos, acompanhado pelos 11 integrantes da banda Funkessência, entrou dançando e mostrando que nem mesmo o tempo pôde apagar o seu talento. Visivelmente emocionado com a euforia da multidão, que o acompanhou em canções como Pode Crer e BR-3, Tony aproveitou o momento para apresentar seu sucessor, o filho Lincoln Tornado, e fazer homenagem ao amigo Tim Maia.

Finalizando a segunda noite do festival Rec-Beat 2012, o palco foi invadido pela latinidade colorida do grupo colombiano Systema Solar. Num show de aproximadamente 1h15, o grupo mostrou uma energia contagiante que manteve o público dançando até o último minuto. Nas composições, fortes influências da música africana, do rap e da cumbia colombiana, que misturadas com a diversidade de ritmos caribenhos, configuram a originalidade da banda.

Patrocinado pela Prefeitura do Recife, o Rec-Beat está em sua 17ª edição e conta também com apoio da Funarte, através do prêmio Procultura.

A latinidade colorida dos colombianos manteve o público dançando até o último minuto - Foto: Caroline Bittencourt

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19 de fev de 2012

Rec-Beat começa com público lotando o Cais da Alfândega

Por Bruno Guimarães

Nem mesmo a forte chuva que dominou o início da noite de sábado (18/02) no Recife apagou o brilho do primeiro dia do Festival Rec-Beat 2012. Com um público fiel, de aproximadamente 20 mil pessoas, a primeira noite foi marcada pela apresentação dos novos trabalhos de artistas como Siba e Tibério Azul, pelo treme-treme da Gang do Eletro e pela latinidade hispânica de El Guincho.

A primeira atração, o Stank, subiu ao palco pontualmente às 19h30, colocando para dançar os primeiros foliões que chegavam ao palco. O duo formado pelo DJ Dolores e pelo músico Yuri Queiroga ainda contou com a participação do percussionista Lucas dos Prazeres, que juntos trouxeram beats dançantes obtidos a partir de uma curiosa combinação entre tablets, guitarras, instrumentos de percussão e guitarra.

Tibério Azul apresentou músicas de seu novo trabalho, Bandarra

Com a trégua da chuva e com um público que já lotava o Cais da Alfândega, foi vez do pernambucano Tibério Azul subir ao palco para apresentar seu mais novo trabalho, Bandarra. Numa apresentação marcada pela participação do público, Tibério não teve dificuldades para cantar Veja Só e Dinheiro, mostrando domínio de voz e uma perfeita sintonia com sua afiada banda.

Em seguida foi da Gang do Eletro mostrar porque ostenta o título de príncipes do tecnomelody e representantes da mais nova geração de músicos paraenses. Com as bases do DJ Waldo Squash, a festa da aparelhagem dominou o público do Rec-Beat. Passeando por ritmos como cumbia, merengue, guitarrada paraense, carimbó, lambada, tecnobrega, entre outros, a noite ainda contou com o show a parte da vocalista Kelly e seus irreverentes passinhos do treme treme paraense.

Num dos pontos mais emocionantes da noite, Siba apresentou o seu novo trabalho, Avante. O show no Rec-Beat, sem dúvida, marcou a renovação do artista, que após anos mergulhado na música popular da Zona da Mata pernambucana, retornou aos palcos mostrando canções mais viscerais, carregadas de experiências pessoais. No palco, a notória emoção de Siba; no público, a euforia dos fãs que, em coro, o acompanhou em músicas como Brisa e Bagaceira.

Acompanhado de sua guitarra, Siba foi ao encontro da plateia de vestido e turbante

Finalizando a primeira noite do festival, o grupo espanhol El Guincho mostrou que domina e conhece bem os ritmos latinos, em curiosas referências de afrobeat e eletrorock. Graças a sua estreita relação com a música brasileira, o grupo não encontrou dificuldades para manter a agitação do público, num show marcado pela qualidade sonora e batidas eletrizantes.

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19 de fev de 2012

Domingo de encontro de gerações no palco do Rec-Beat

Mais do que novos talentos, o Festival Rec-Beat também resgata ícones da música nacional e internacional, que, depois de se tornarem verdadeiras “escolas” para os novos talentos, estão sempre se reinventando e estabelecendo diálogos com a música contemporânea. A segunda noite do Rec-Beat 2012, que é patrocinado pela Prefeitura do Recife, traduz bem esse ideal defendido pelo festival, possibilitando o encontro de veteranos como Tony Tornado e Silver Apples, que dividem palco com a vitalidade jovem de bandas como Systema Solar e Embuás.

A programação no domingo começa cedo, a partir das 17h, com a já tradicional e irreverente concentração do bloco Quanta Ladeira. Comandado por Lula Queiroga, Lenine, Zé da Flauta e convidados, o bloco é, sem dúvida, o mais politicamente incorreto de todo o carnaval, não poupando ninguém em suas sátiras e versões de hits da música brasileira. Este ano o Quanta completa 15 anos de deboche, despojamento e de uma aparente bagunça, dando um charme para a multidão que aumenta a cada ano para cantar os seus refrões impublicáveis.

Após a dispersão do Quanta Ladeira, o palco do Rec-Beat recebe o DJ 440. O olindense assume as pick-ups com mixagens que vão do samba-rock ao carimbó, passando pelos sons de Pernambuco e resgatando sonoridades das guitarradas e ritmos latinos.

World music pernambucana
Com o público já devidamente aquecido pelo DJ, será a vez da “orquestra’’ pernambucana Embuás apresentar todo seu experimentalismo musical, num estilo que pode ser entendido por jazz contemporâneo/world music. Formada por 11 músicos, a Embuás inspira-se em conceitos contemporâneos e mistura experiências sonoras dançantes com batidas da música moderna. Uma sonoridade incorporada da música universal e tradicional dos diferentes povos, aliada a um humor teatral, fez a banda receber calorosos aplausos do público em bares e palcos de Recife, cidade onde vem se apresentando desde 2004.

Nesta 17ª edição do Rec-Beat, o festival firmou em sua programação uma parceria com a Red Bull Funk-se Tour, e traz as batidas de Sany Pitbull. Com mais de 20 anos de funk no currículo, Sany é apontado como um dos expoentes da nova fase do estilo. Apostando na vertente instrumental do gênero, utilizando pouco – ou quase nenhum– vocal em suas músicas, Sany vem experimentando sonoridades pouco comuns ao universo do funk. Seu show no Rec-Beat contará com a participação do embolador, rapper, compositor e intérprete pernambucano Zé Brown, apresentando um trabalho solo que faz referência a diversas experiências que teve no decorrer da sua vida como MC.

Pioneiros da música eletrônica mundial
Por volta das 22h, o palco do Rec-Beat deixa de lado a batida do funk para receber uma das figuras mais interessantes da história da música eletrônica, o Silver Apples, comandado pelo americano Simeon Coxe III. Pioneiro no uso de osciladores de frequência em palcos de musica pop, Simeon conheceu os sons sintetizados durante um espetáculo de música contemporânea na segunda metade dos anos 60. Juntamente com Danny Taylor (falecido em 2005) criou os Silver Apples, uma dupla voltada para a experimentação utilizando apenas uma bateria (tocada pelo parceiro) e um conjunto de osciladores interconectados (batizado The Simeon).

Passado o ecstasy das sonoridades eletrônicas, será a vez de outro ícone da música subir ao palco do Rec-Beat. Trata-se do conhecido ator global Tony Tornado, que depois de alcançar o sucesso na década de 70, mostra como continua efervescendo plateias por todo o Brasil e agora traz ao Recife seu show. Um dos percussores da soul music e do funk no Brasil, Tony vem acompanhado do conjunto Groovadelics para mostrar todo seu swing e gingado da black music. Aliando ainda elementos da black music contemporânea, promete esquentar a noite do carnaval recifense em grande estilo.

Finalizando a segunda noite de shows, o festival escalou uma melhores revelações musicais da Colômbia nos últimos anos, o grupo Systema Solar, que serão os grandes responsáveis pelo tempero latino do Rec-Beat 2012. É a partir da mistura dos ritmos tradicionais do Caribe colombiano com batidas eletrônicas e outras sonoridades latinas, que o grupo vem conquistando o mundo e emplacando turnês pela Europa, EUA e América Latina. Em 2012, além do Rec-Beat, Systema Solar já é presença confirmada em importantes festivais como o Lollapalooza do Chile e o Vive Latino do México.

Colombianos do Systema Solar vão trazer influências caribenhas e africanas

Mais Rec-Beat
Contando também com o apoio da Funar
te, através do prêmio Procultura, a programação do Rec-Beat segue até a terça-feira de carnaval (21/02). Ao todo, serão mais de 20 atrações nacionais e internacionais, com acesso gratuito, no Cais da Alfândega.

De domingo (19/08) a terça, o Rec-Beat também promove a Hell-q-Beat, no Tebas, festa inferninho pós show do festival, realizada a partir da meia-noite. A programação foi pensada nos apaixonados pelo carnaval que não querem interromper a festa na madrugada e sim seguir até o dia clarear com uma diversificada e divertida seleção de DJs, da globalibre da Alemanha, passando pelos rockers de São Paulo até chegar no tecnomelody do Pará. Entrada: R$ 15 (preço único).

Rec-Beat 2012
Cais da Alfândega – Recife Antigo
Acesso gratuito

Domingo (19/02)
17h – Quanta Ladeira (PE)
19h30 – DJ 440 (PE)
20h – Embuás (PE)
21h – Sany Pitbull (RJ)
22h – Silver Apples (EUA)
23h15 – Tony Tornado (SP)
0h30 – Systema Solar (Colômbia)
Nos intervalos: DJ 440 e VJ Mary Gatis

Clique aqui para ver a programação completa do Rec-Beat 2012.

by Aurora Creative Business